O Andarilho caminha pelas ruas no inverno, que traz sua habitual melancolia. Olha para as sombras e vê as cadeiras vazias, onde muitas vezes conversas, sentimentos e expectativas eram divididas. Ali esta o vazio, de uma vida não vivida. Sentimentos, apenas sentidos e não explorados. Enterrados na maré do medo e da imaturidade. Expectativas rompidas com um rasgo de um relâmpago. Ficaram apenas cadeiras. Sem vozes e sem alma. A sensação de uma distorção de desejos que se afastam paradoxalmente, formando uma grande senoide, se misturando e se corrompendo entre altos e baixos. A parede espelhada, mostrava o sol brilhando nas suas costas, mas as cadeiras abrigavam quem refinava um gosto de vivenciar as ondas turbulentas de ações e reações. Bastava se permitir um olhar para o espelho, que reflete a si mesmo integrado ao sol. Sol que bilha lá fora, basta se permitir. As sombras envolvem as cadeiras, o frio do inverno deixa seus assentos áridos e congelados.
Só resta uma coisa a fazer, seguir na luz que aquece e ilumina o caminho. O Andarilho respira, olha para o céu, sente o calor do Sol e segue sua jornada, que muitas vezes não precisa ser solitária.